30 junho 2010

cut/mir/copy-sola

“La desordre c’est l’ordre moins le pouvoir”

canta Mikhail Bakunin

A harpia me levou
para uma temporada

no Inferno

encontrei Rimbaud

achei que estava indo

bem


- cut copy Mirisola -


até que o texto me perguntou:
- E você? Servindo bem para servir sempre?

tim tim ben ben caê mil

ton

24 junho 2010

morro no morro

eu sustenido nego
 toda imposição, hora
marcada, gesto
calculado, música jabá,
todos os programas
enlatados da televisão, tudo
que pensei sem pensar, desprego
a loucura dos sentidos,
não respeito os sinais,
erro
os códigos, rasgo
os jornais, engano
o sistema,  não caio
no esquema, guardo
as pontas, perco
as contas, o terço,
a receita, as pessoas, os números, 
as peças, troco
as sílabas, as palavras, os canais,
as ruas, os lugares, as paisagens,
os nomes e os pronomes pessoais 

os copos, os corpos, os porcos,
os troços, os cacos, os trecos,
reco-reco, seco a chuva,
a rusga, a musga, a susga e passo 
o pano

eu nego,
eu nego ego eu negonego nego ne
eu nego, eu nego ego
eu negonego
nego ne

eu nego nego
nego ego
nego me
nego
ne

gone
nego nego
nego nego ne
nego ne

não nego me

não sinto
frio no cio

gingo miro giro firo

corto, sujo, despareço comigo, 
tombo, destronco,
estralo, colido com o inimigo,
arremesso, jogo,  rompo, arrombo,
 experimento, anarquizo, 
esqueço, arisco,
arrisco, há risco,
picho, apago, rabisco

eu morro
com a tarde
e renasço
para a noite
total

não sou o tal
mas não sou otário

zero,  vírus, bomba
terror, invasão

... eu cago na história

(momento de tensão)

ATENÇÃO!

eu repito, eu repito, eu repito
chuto, arregaço, fodo e ...


(perco a memória
-"A memória é uma ilha
de edição".)
Sou mais Wally Salomão.

dou-recebo-a-língua,
eu rato, cachorro, sapo, gato, macaco,
eu falo na lata, eu lato no talo, eu pinto na área

roço com facão
os pronomes ao redor dos nomes, as ilusões perdidas
a baquiara das promessas não cumpridas

grito, berro, treto, trepo, 
cruzo, gemo mordo, chupo, 
choro, represento & bebo as lágrimas,

eu soul
rock and roll
samba maracatu 
rap, afrobeat, embolada
áfrica, brasil

salve! salve!
sobradinho!

gameta como,  engulo, estrangulo, me enforco, eu enfio
no rabo, eu subo, eu pulo, flutuo,
voo, corto, recorto, parto, reparto, 
vejo, toco,  ardo,  gamo & amo
intrasitivamente

eu sinto muito e gozo

& falto:
trabalho, missa, comício,
reunião, casamento, compromisso,

confesso:
matei a aula
de moral e cívica
+
meia dúzia de políticos,

gosto do gosto amargo gosto
e contesto todo feriado domingo

mudo, retiro, maldito, reflito, 
espalho, abro, questiono, escancaro, 
revelo, protesto, descubro, bagunço, agito,
imagino, invento, edito, mixo, misturo o mundo
e nossos estilhaços
fundo
                                                                       calo
                                                               troco
                                                       toco
                                               soco
                                    sangro
                                                                                                                                                       desloco
parto, abandono, arrebento, escondo,
entorto, quebro no meio, olé,
olé,
escanteio.
invado a área, cabeceio

- Putz!-
é gol!!!

 Aos 45 do segundo
tempo
do último século
- que paulada mano! -

eu alucino a cultura, deliro o verbo, inverto a imagem, rompo o significado, saio do outro lado


apago / acendo
apago / aceno

não pago
acirro
atiço
provoco

incito, excito, esfrego

uma
                  palavra na outra
     palavra
                             & acendo
o fogo a discussão os ânimos

 
                    subo
o morro
                       que-
bro
a es-
quina
penetro no b
                    ec
                      o
na quebrada
na picadilha
no barraco
no mocó
no topo
do morro
na lama
no céu
&
eu
não sigo
a cartilha
rasgo o dinheiro
a certidão de nascimento,
queimo a identidade, o cpf
integro a guerrilha
da poesia
samba
de bamba
olho de lince no lance
"nervos de aço"
perco o cabaço, o salário fixo, o rancor, 
deus salve a burguesia
e o diabo a carregue!
caço a pipa no céu sem cerol na linha &
cor/
to a rabiola. Olha:
eu armo,  eu rio, eu vou, eu fui, eu bolo, enrolo, nóis fumo e serei
a
salavação
de mim próprio
não traio, não caio, não vacilo,
- estou ligado
na fita -
eu caço, espero, espio
liso, não aviso & atiro
a queima-roupa

quebro o tabu
invoco meu orixá
a qualquer hora
em qualquer lugar

- Salve Iemanjá! -

O anjo cresceu

desprezo
o desprezo

não penso
não planejo
eu vou
na moral
no improviso
natural
eu vazio
ex-vazio
- disparo -
contrário
ao raio
do sol

(separo meu
corpo
de minha
mente &
a alma flutua)
estou
soterrado
no planeta terra
& toco o terror
nú no meio da rua

17 junho 2010

Inexistência S/A

entre o sono
- na cama -
e a insônia:

o corpo

incerto
agita
agora

pensamentos
da manhã,
tarde,  noite

madrugada: a cidade sonha
um outro pesadelo coletivo
e amanhece. a água escorre

no espelho

Lembra que ...?

Encontrastes
- em contraste -
tu & a manhã
ontém na rua
amarelecida.

tu: corpo
sem passado
pensou: -
                         o  futuro
                         é um furo
                         no furo

é um vulto. atrás
da porta da sala
de não estar

projeção de si
seu corpo move
sob a cabeça :

180°

a mente de-
seja prazer

pensa
e significa-te

rua
amor
mundo
trabalho &
inexistência S/A
em relação
ao outro que

- talvez -

- por que não? -
também se sinta
tão inexistente

mesmo no corpo

até que uma outra

rua
paixão
cidade
tele-

fonema

palavra
criação

mesmo olhar
desconhecido

tira-te
de dentro
de ti de
fora da
sombra

paraum
bomou
outrou
+ou-dia;

tanto faz?

olhar / dizer:
- sua cor desperta
o planeta tu dentro
do próprio buraco ensi-
mesmado caramujo
creme rosado vivo

em forma de pássaro
reaprender a cantar

      r sobre
     a
     o
e a v

- e por entre -

    ondas
as

até
      todo uni-
                      verso
                                ir
& voltar

                ondas
          as
como
                            
                                   do mar
                ondas

          as
como
                                   ao mar

mar ao mar
amar o mar
azul
dos
olhos
que olham
o azul do mar

11 junho 2010

quase dois

AAAAA quase
AAAAAA como
AAAAAAA quando
AAAAAAAA a dúvida da vida
AAAAAAAAA é se
AAAAAAAAAA o
AAAAAAAAAAA a
AAAAAAAAAAAA tem
AAAAAAAAAAAAA ou
AAAAAAAAAAAAAA não
AAAAAAAAAAAAAAA
AAAAAAAAAAAAAAAA crase

Quase

morri essa
noite

Quase

Como sempre
quase. Quase
tive febre


quase 39°
;menos 1
lá fora ou

quase

(tremolo
um chá -
coloquei
leonard cohen
para cantar
no quarto
- de camomila)

quase
antes

do fim

sonho
squas
ereai
squas
eabus
ocria
nças:
menin
os&me
ninas

quase
1 ano
preso

quase

(...)

             tanta coisa
(quase quase quase)
para fazer que

                    não sei
o que faço. quase não

te quero mais.
                     Quase

06 junho 2010

sarau dos malditos

o conhaque durou o tempo de uma tragada no monóxido de carbono

gritava como um animal na madrugada gélida,

chamou as sombras para a porrada; estas atacavam lanches gordurosos e bebiam cocas cloacas colas e não se sentiram desafiadas para uma briga sem plateia ...

além de serem humanas de longe são todas iguais; as mesmas calças, escravas de uma moda ultrapassada a 5 X sem entrada fingem que ninguém existe exceto

seus namorados & amigos & o celular que atendem mesmo sem tocar

gritava como um boi sendo morto a machadadas na madrugada de gelo

sim eles são muito mais homens em seus carros do ano, muito mais joviais e viris e a maioria tem um futuro promissor, além é claro de não fumarem 42 cigarros por hora

sua presença incomoda tanto que é mais fácil ignorá-la

a noite no clubinho acabou sem emoções, sem corações despedaçados, sem nenhum sinal de vida que grita por mais vida, sem orgasmo, sem tesão, sem dentes quebrados

o dono da banda disse que as dançarinas não fumam mais maconha & realmente odeiam poesia & não fazem ideia de quem seja augusto dos anjos

se enlouquecer prometo quebrar todas os vidros da cidade, arrebentar a pontapés todas as vitrines, comer todos os espelhos e chupar todos os retrovisores

afundou-se nas profundezas infernais do paraíso e comungou cachaça com os excluídos

lá na rua a porrada comia solta ... e o frio já não era mais faca amolada.

lei:  uma historinha contada até às 6 da tarde; nas profundezas da noite iluminada com lâmpadas de 60W a vida depende da palavra ou da ausência dela

o moreno sorria com sangue entre os dentes. disse demais? ou não disse nada?

as bolas do bilhar estalavam

barulho de ossos faciais. o homossexual com seu casaco de onça fez algo - um gesto? um movimento? uma insinuação? - e o cara de azul com um taco de bilhar arrebentou seu supercílio. os motivos são como o esgoto que ninguém vê. o homossexual pegou seu drink barato, cruzou as pernas com classe e o sangue escorreu.

- Ele é meu irmão! ele é meu irmão!

alguém pediu dinheiro para a cerveja e o copo ficou dourado

futebol arte rap samba & lembranças de craques que caíram
no crack & aviões cheio de dólares voando sobre favelas

os melhores amigos são os que são capazes de matar você e
não escondem isso. o risco é a vida

alguns se arriscam com seus narizes e notas de 5 úmidas enroladas

para mim basta cheirar o universo

no final da noite gingou com uma cadela de rua que usava um cachecol lilás.

tentou mordê-lo, sentiu seus dentes envolverem a canela

gritava como um animal morto a pauladas

03 junho 2010

JAINOGENOS | DOCE E SOBRENATURAL EP | 2010


DOCE & SOBRENATURAL é o primeiro trabalho do JAINOGENOS formado pelo guitarrista Andy Cardoso (+ conhecido nestas paragens como Ferrugem), o cantor Marcos (vulgo Marquinho Coruja) e Paranax.

Marcos e Ferrugem foram na casa do Paranax que entregou a eles uma série de letras para que se divertissem à vontade. Dias depois Andy e Marcos voltaram e mostraram a ele o que aprontaram usando um computador caseiro, voz, violões, criatividade e experimentalismo.

As letras se transformaram em 6 canções que transitam entre mpb, folk, rock e samba.

Em homenagem à dupla caipira Gino & Geno e às suas raízes rurais, Paranax e Marcos batizaram o projeto de JAINOGENOS e cascaram o bico.

O resultado: DOCE & SOBRENATURAL -- você pode ouvir ou baixar agora clicando nos links:

1 peixes ornamentais

2 doce e sobrenatural

3 labirinto (samba para Noel)

4 surreal violet sky

5 mutações

6 lábios e pele

release + letras