06 fevereiro 2011

morango com lima
quer dizer algo


a cor 


a palavra


a cor da palavra?


ou outra coisa & todas 
essas coisas dispersas
entre nossos corpos nus


sobre a pedra fria
na noite quente do


meu último verão


adolescente


preciso envelhecer?


preciso precisar?


preciso?


seleciono frequências
no interior da noite 
escura, interminável


pessoas coloridas
dentro de um cézanne


marijuana 
flutuante


o seu perfume
atravessa meu 
único sentido


tenha cuidado baby
se quiser me salvar
pois sonho a urutu


seja pelo intelecto
seja pelo instinto


importante 
é sabermos


os caminhos da fuga &
dos beijos ardentes fora
dos domínios do tempo
& dos espaços controlados


importante é ter
fôlego para escalar


montanhas estelares
não sei p q disse


& sei


"preciso ser mais 
macunaímico nas 
próximas chances
ou adeuses"


perdi o bob 
dylan no bar


& tudo o que
diziam valer


3 cervejas & uma pinga


você beijou doce


& me tirou de mim


enquanto eu pedi apenas
que apertasse o gatilho


carreira solo: 
um tiro apenas


eu nunca quis me matar
apesar de já ter morrido


barbear o pulso esquerdo
não me fez um suicida ou
um coitado na manhã seguinte


talvez e muito mais um verme
em quem nietzsche teria cuspido


sem piedade


agora tudo mudou
definitivamente


- "os animais são ex-humanos, 
e não os humanos ex-animais" - 


nada pode ser assustador
quando se está com alguém 


na escuridão


nem mesmo a espaçonave 
com luzes bruxuleantes
que me abduziu para
dentro de seu estômago


nada é tão assustador
enquanto eu continuar
fantasma de mim mesmo

6 comentários:

Amosventura disse...

otimo e vivo..........
abraço

Ricardo Domeneck disse...

Bom o poema, meu caro.

paranax disse...

Agradeço a visita e as palavras meus amigos!

Bruno de Abreu disse...

gostei de seu jeito de escrita. é tão bom clicar num perfil e aparecer coisas como as que eu acabei de ler. não sei muito como se dá isso, mas às vezes me instigo, como agora.

Gei disse...

Macunaímico é um termo que nos une. Só que usei no feminino: Na trilha de livros alforriados, a lassidão macunaímica embalada pelo swing romântico de Nat King Cole. Gostei das paisagens velozes do poema.

rodrigo madeira disse...

maravilha, maravilha!