27 agosto 2010

.
carregar o que é
preciso no bolso

furado

ter somente
o necessário
para jogar
fora

decidir morrer
pela nonagésima
quinta vez

outro
dia

cortar
o pulso

devagar
para

fazer
charme

(chantagem)

; sem alteres
na consciência

às vezes acho
que sou livre

conec
-tado

dentro
dentro da
cadeia

fabril

roendo
unhas

rato

sentado
            na
cadeira

des
cruzo as
pernas

,
digo
:
ontem
tirei
a CNH
para não
dirigir

amor sem ponto

final do poema

comunico:

às 12 horas
sairei daqui

hoje:

listar num papel
todas as atividades
necessárias para
amanhã. roteirizar
a vida

listar em outro papel

(desta vez exclame):

listar todas as atividades
necessárias para a vida!
roteirizar a vida!

aqui parece
um bom lugar
para morder
um coração

des (a)
parecer
consigo

em seguida
em seguida ir
à academia
- de letras -

trajado de alfa
beto para o chá
de cogumelo

acordar
abrir
olhos
começar
viver de
novo
pela (365 X
sua idade) vez
, não levando
em consideração

os anos bissextos
as noites de insônia
os amores eternos

desfeitos

os foras
os tombos
as horas de trabalho

escravo

os blockbusters
a cerveja quente
o vinho

azedo

o cigarro do paraguai
as internações
os livros

do mago

os desmaios
os afogamentos
os engasgos com a espinha

do peixe

as birras
as coças
os choques

elétricos

os envenenamentos
as intoxicações alimentares
o horário eleitoral

gratuito

o tancredo
o muro de berlim
as diretas



as provas
os testes
os exames

de HIV

os acidentes
a quase morte
os cortes

de energia

os porres
os vômitos
os vexames

as masturbações
os programas da TV
o coma

induzido

o aborto ou
a gestação
o parto

do aborto

os mass media pela metade
os programas da xuxa
o poeta

morto

os restos
as migalhas
a lavagem

cerebral

as memórias as
as memórias das memórias
as memórias que prefiro

esquecer

enviar sms:

no fim da
tarde ligar
para mim
& twittar:

diga-me que eu não estou

motivo:

escrever um poema é como se todos os outros
poemas tivessem sido deletados da realidade.

ou um e-mail
: desculpe não
 posso responder
vosso e-mail
.
.

6 comentários:

Tchello Melo ou Marciano Macieira ou Tchellonious disse...

"escrever um poema é como se todos os outros
poemas tivessem sido deletados da realidade." é quase um control+Z

Axé mais!

paranax disse...

exato. você tocou uma ideia interessante. desfazer e sua relação com o mundo virtual. desfazer temporariamente ...

deletar a realidade por um momento, inserir nela um poema, trazê-la de volta e compreender que o signo emitido é um dentre o incomensurável, que logo será deletado (temporariamente criando um universo paralelo) para outro poeta interferir nesse universo possível (em face do outro em inexistência momentânea) com palavras, símbolos, imagens, sons, perfomances - como se todos as outras manifestações - inclusive, claro, essa - não existisse.

depois um control+z é dado (de mallarmé!?) e o mundo segue seu destino sem destino, mas foram borrados os limites do real e da ilusão, da realidade e da virtualidade, da transparência e da não-transparência ...

Valeu pela presença!

tazio zambi disse...

muito bom, cara.

isiane disse...

"aqui parece
um bom lugar
para morder
um coração"

gostei do seu blog. vou ficar por aqui lendo e mordendo corações.

paranax disse...

tazio zambi! é noise!

paranax disse...

poe
isi
ane