30 março 2010

tantã



encontrou-se
              não
encontrou-se
                 no mundo
desencontrou-se
     encontrou
                  seu
próprio
          mundo
                   seu
próprio mundo
não é o mundo
que encontrou
oirártnoc aos
                   seus
desencontros
                   seus
desencontros
são              seus
      próprios
      encontros
com                os 
        encontros
                    de
    desencontros 
                      seus
tantos
       desencontros
                     seus
& mais outros
            tantos
                    tantos
que chegam a ser

encontros de
desencontros
                   tantos
desencontros
que são

desencontros
de encontros
                  depois
                   tantos
              encontros
                   tontos
         & mais
          outros
          tantos
         desencontros
         encontros tão
         desencontrados


tantos ...


que se pudesse
ser quem é
não seria

não seria

tanto

quem não é

seria

seria apenas

seria apenas tanto
que acabaria sendo

sendo
tantã

tantã
seria
tanto

que não mais

seria
tanto
tantã

talvez santa

seria
tanto

quem sabe
nem tanto

nem tantã
nem santa


apenas canta





2 comentários:

Lilah Gondim disse...

Um perdido que canta! E segue-se assim desencontrado, mas sabe que nem é santo nem tantã.

Anônimo disse...

Se "os signos só existem na medida em que se repetem", para mim,nos seus poemas a repetição retira a palavra do seu estado de dicionário e a desgasta incessantemente como se pudesse teimando encontrar o impossível - o "osso" da palavra.Num teatro absurdo, elas deixam de ser "concebidas ilusoriamente como instrumentos" e, poderia dizer, são "lançadas como projeções, explosões, vibrações, maquinarias", muito mais do que saber, encontra-se os sabores desse jogo interminável. Para além da enunciação, só o silêncio compreende o que você quer dizer.(MGF)